Mãe é mãe - Especial CRIS MANFRO

A mãe do Lucas (32), do Henrique (25), da Mirela (35) e da Milena (25), nos falou sobre amor e maternidade muito além do quesito biológico. Ao lado das filhas, ela também contou sobre a experiência que vive atualmente como avó dos dois filhotes da Mirela. 

Nosso último post em homenagem ao Dia das Mães é pra lá de especial. A Cris Manfro, psicóloga, de 52 anos, contou pra gente a história superemocionante da família dela. Mãe do Lucas (32), do Henrique (25), da Mirela (35) e da Milena (25), ela nos falou sobre amor, destino e maternidade muito além do quesito biológico. Ao lado das filhas, ela também contou sobre a experiência que vive atualmente, como avó dos dois filhotes da Mirela. Preparados? Então espia só:

Cris: Pra mim, falar sobre maternidade é uma coisa que me faz chorar (risos). Eu choro por qualquer coisa, como dizem, eu choro por propaganda de margarina. Mas, falar dos meus filhos é a coisa mais importante pra mim. Talvez, hoje eu tenha uma coisa que se equivale a isso, que é ser avó.

Uma vez eu li um texto belíssimo do Affonso Romano de Sant’Anna, “Antes que elas cresçam”. Nesse texto, ele fala da emoção de ver as filhas crescendo, a primeira menstruação, a primeira vez que ele buscou elas numa discoteca - esperando que elas não cresçam, mas apareçam (risos). E, depois, a primeira vez que ele vai jantar na casa das filhas dele. E eu senti tudo isso recentemente, quando fui jantar na casa da Milena pela primeira vez.

Quando a gente mantém os vínculos, e a nossa família tem os vínculos muito fortes, cada etapa é uma “estreia”, inclusive eu escrevi isso no mural da casa da Mirela essa semana. O Affonso de Sant’Anna também disse nesse texto, que o bom de ser avó e avô é que a gente pode “desestocar” o afeto que não pôde ser exercido com os filhos por algum motivo. Eu lembro que uma das minhas grandes agonias era não estar dando ou fazendo por eles tudo que eu gostaria. E aí, eu me torno avó! Se vocês me deixarem eu vou ficar até amanhã falando sobre isso (risos).

 

#NAREAL – Como começou sua vida como mãe?

Cris: Eu fui mãe no susto a primeira vez, quando tinha 21 anos. A gravidez do Lucas não foi planejada, porque eu namorava há dois meses. Mas, a partir do momento que eu soube que seria mãe, eu tomei a decisão de ser mãe. A Mirela já está experimentando isso. Tem pessoas que não tem o vírus da maternidade, mas eu acho que eu nasci com esse vírus. Minha mãe era muito materna.

Depois do meu segundo filho, Henrique, eu decidi que não teria mais filhos. Então, com 27 anos, eu fiz ligadura de trompas. Logo em seguida, me separei do meu primeiro marido, com o filho de seis anos e um de 6 meses. Eu estava decidida a tocar minha vida, criar os dois. Quando, de repente, em 1996, eu conheci o amor da minha vida, que é o meu marido. Só que ele não vinha sozinho, ele vinha com dois “pacotinhos”.

#NAREAL – E como foi lidar com tudo isso? O novo relacionamento, as duas filhas dele e etc. 

Cris: Eu não estava preparada para lidar com aquilo, quando um dia ele foi me buscar em um curso e disse:

 – Cris, eu tenho uma surpresa no carro, não sei se você vai gostar, mas eu espero que goste.

Quando eu abri a porta do carro, a Mirela disse:

– Oi Cris!

E, eu pensei “Jesus, o que eu faço?”. Eu não sabia se eu entrava no banco de trás, se eu entrava no banco da frente. Enfim, eu sentei no banco de trás, e ela me disse:

– Cris, a gente quer ir num lugar. Você vai com a gente?

E eu disse que eu iria. Aí a Mirela falou:

- Mas pra ir nesse lugar você precisa vestir uma coisa.

E ela me entregou uma camiseta do Grêmio – detalhe: eu sou colorada (risos). Eu vesti a camiseta do Grêmio e tive a impressão que, naquele momento, eu vesti a camiseta da nossa família. No dia seguinte, eu estava dormindo, quando acordei e abri a porta, eu vi uma loirinha de cabelos crespos e disse:

- Oi Milena!

- Oi Cris!! – Respondeu ela, toda empolgada. E veio correndo me abraçar.

Aos poucos, fomos começando a morar todos juntos. No caso das meninas, primeiro veio a Mirela, depois a Milena. E aí, já éramos seis – nós dois e nossos quatro filhos. Eu lembro que o Lucas me perguntou quando ele era pequeno:

- Mãe, o que as meninas são minhas?

E eu disse pra ele que as meninas seriam irmãs por inteiro, dependendo do que eles fossem construir juntos. E, quer saber? Eu não conheço irmãos que se amem, que se defendam tanto como os quatro.

Mas em toda nossa história, tem umas situações engraçadas. Uma vez, a vizinha veio me dizer:

- Nossa Cris, eu já admirava vocês pela família, mas eu não sabia que o Henrique era adotado.

- Quem te falou isso? – Eu disse.

- A Milena me contou! – A vizinha respondeu.

Aí, eu perguntei para a Milena, porque ela havia inventado aquilo. Ela colocou as mãozinhas na cintura e me disse:

- Você gostaria que alguém dissesse que você não é filha da barriga?

Ela se referia às vezes que eu dizia paras pessoas que ela e a Mirela não eram minhas filhas de barriga. Então, eu respondi pra ela:

- Ok, eu nunca mais vou falar que você não é da barriga (risos).

A partir dali, passou a ser filha e pronto. Mas isso não desqualifica o pai dos meus filhos – que também tem o meu atual marido como segundo pai – ou a mãe das meninas. Porque não é uma questão excludente, é uma questão de poder compartilhar a vida, o afeto. Eu tenho muito carinho pela mãe biológica das meninas. E eu acho que família é isso, maternidade é isso: poder compartilhar, cuidar, brigar às vezes. As minhas filhas tinham que vir como vieram. Não era pra ser da barriga.

Outra coisa interessante, é que eu nunca quis um filho meu e do Andrey (marido). Porque as pessoas sempre dizem “vocês têm os meus, os teus e quando vão ter os nossos?”. A resposta é que os quatro filhos são nossos. Eu acho que esse é o futuro, as famílias cada vez mais, se formando famílias por amor. Sem excluir a questão biológica, mas também sem ela ser uma coisa fundamental.

#NAREAL – Mirela, você é mãe do Matteo e do Gabriel. Como você vê a maternidade?

Mirela: É muito difícil falar sobre ser mãe, porque pra mim é a coisa mais importante da minha vida. Os meus dois filhos foram muito desejados, porque eu sempre quis ser mãe. Mas eu acho que, num primeiro momento, a maternidade vem para bagunçar tudo que a gente planejou (risos). Tudo acontece muito diferente do que a gente espera e, o amor é tão grande, que chega a dar medo às vezes.  

#NAREAL – Cris e Mirela, o que mudou com a chegada da maternidade, que ninguém avisou vocês que mudaria?

Mirela: Pra mim tudo (risos). Desde o momento que eu fiquei grávida, tudo ficou diferente. A gente fica preocupada se eles estão bem, estão felizes.

Cris: Eu tenho uma boa e uma má notícia pra ela e pra todas as mães mais novas: a boa notícia é que essa preocupação passa. Mas a má notícia é que ela volta em todas as fases, pro resto da vida (risos). Você fica preocupada com a escola, com o namoradinho, com a casa delas, se elas estão se alimentando bem.

O meu maior fiasco foi quando a Mirela apareceu de vestido de noiva, na prova do vestido. Chorei sem parar! Na formatura da faculdade delas também, ainda mais pelo fato das duas serem minhas colegas de profissão.

#NAREAL - Pois é, vocês são colegas de profissão. A escolha da profissão de vocês, Mirela e Milena, teve a ver com a imagem da Cris como psicóloga?

Milena: Teve tudo a ver, pra mim e pra Mirela, ver a paixão da Cris pela profissão.

Cris: Pra mim, três dos meus filhos escolherem a Psicologia, foi uma total surpresa. O Lucas também é psicólogo. É uma delícia, e eu acho que os três tem tudo a ver com a profissão. Hoje eu me delicio vendo eles trabalharem.

- História de amor a gente curte, comenta e compartilha, né gente?

- Depois desses depoimentos inspiradores, a gente deseja um FELIZ DIA DAS MÃES! <3

 



1
#PluralSingular – Campanha Verão 2018
#NAREAL_comportamento - 04.09.2017

#PluralSingular – Campanha Verão 2018

O que você já deixou de fazer por ser mulher? Depois de ouvir infinitas respostas para essa pergunta, resolvemos convidar quatro mulheres inspiradoras para participar da nossa nova campanha.
leia todo o conteúdo >
Bora desacelerar?
#NAREAL_comportamento - 05.04.2019

Bora desacelerar?

A gente começa o ano de 2019 com uma proposta bem diferente – quase um desafio!
leia todo o conteúdo >