Papo-cabeça com Cris Rozeira - Atacante da Seleção Brasileira de Futebol Feminino

O #NAREAL aproveita o ritmo de Copa do Mundo, pra contar a história das CAMPEÃS da Seleção Brasileira de Futebol Feminino e falar sobre o cenário do esporte no nosso país. 

Papo-cabeça com Cris Rozeira - Atacante da Seleção Brasileira de Futebol Feminino

Craques da bola, artilheiras premiadas, medalhistas Olímpicas. O #NAREAL aproveita o ritmo de Copa do Mundo, pra contar a história das CAMPEÃS da Seleção Brasileira de Futebol Feminino e falar sobre o cenário do esporte no nosso país. Pra começar, nada mais nada menos que Cristiane Rozeira, atacante da nossa Seleção. Fica e confere, porque tá incrível!

#NAREAL - Você nasceu em Osasco/SP, certo? Como foi a sua infância por lá e como o futebol entrou na sua vida?

Cris - Isso, eu sou de Osasco. Eu comecei jogando com 6 anos, brincando com meu irmão mais velho. A única coisa que eu gostava de fazer era jogar futebol, não tinha outra brincadeira que me empolgava. Minha mãe tentava me empurrar pra outras coisas, tentou me colocar no ballet, mas eu saí correndo (risos).

#NAREAL - Com quantos anos você passou a jogar profissionalmente? Como foi esse processo?

Cris - Com 12 anos eu entrei numa escolinha de futebol, com a ajuda de um vizinho meu. Foi a pessoa que me ajudou, porque meus pais não tinham condição e também não queriam muito. Mas eles acabaram cedendo.

Nessa escolinha só tinham garotos. Eu ia e voltava andando todos os dias, uns 40/50 minutos, porque não tinha o dinheiro do transporte.

Depois de um tempo, um treinador decidiu formar um time feminino, porque não tinha condições de eu jogar com os meninos – eu apanhava deles e alguns não gostavam muito de tomar drible de mim. Mas o primeiro campeonato que eu disputei foi só com os meninos.

Teve até um episódio engraçado, que na hora de entrar no campo, o treinador do outro time olhou e deu uma debochada. E, aí comecei a driblar os garotos do outro time e fazer gol. Ele ficou bravo e disse que eu não podia jogar (risos).

Aos 14 anos, foi quando uma treinadora do Juventus, da Moca, me viu jogar e me chamou pra fazer um teste de futsal lá. Nesse momento minha família me apoiou muito, mas foi bem difícil sair de casa, trocar de escola e etc.

#NAREAL - O Brasil é conhecido mundialmente como “o país do futebol”. Mas, na verdade, é o país do futebol masculino. Porque você acha que o futebol feminino é tão desvalorizado em nosso país? Como você encara isso?

Cris - Antigamente, muita gente falava que o futebol feminino nunca ganhava medalhas, então isso era uma desculpa pra não darem o devido valor. Mas, se mesmo com toda a dificuldade e falta de patrocínio, nós conseguimos ganhar todas essas medalhas, imagina se tivesse existido um investimento?

Eu fico triste né, porque você vê outros países se desenvolvendo de uma maneira tão rápida, principalmente com o apoio dos clubes. Depois das Olimpíadas de 2012, a Inglaterra evoluiu demais no futebol feminino. Tem o Manchester City, Chelsea, Liverpool e o Manchester United. A Espanha também tem o Barcelona, o Atlético de Madrid. É complicado, temos que sair do país pra ter um futuro.

#NAREAL - Você acredita que houve uma melhora desse cenário, desde o início da sua carreira até os dias de hoje?

Cris - Sim, teve uma evolução. Hoje, as meninas têm a oportunidade de jogar fora do país sem precisar passar pela Seleção Brasileira antes, coisa que quando eu comecei não era possível. Você tinha que ‘estourar’ na seleção pra conseguir um contrato bacana.

#NAREAL - Em 2012 você foi eleita a maior artilheira do futebol feminino da história dos Jogos Olímpicos. E, em 2016, tornou-se a maior artilheira do FUTEBOL em Jogos Olímpicos, independente de gênero. (É de arrepiar! Rs) Como foi pra você, atingir essa marca que independe de gênero?

Cris - Pra mim é um orgulho muito grande, porque em meio a tantas dificuldades que eu enfrentei junto com as meninas (colegas de seleção), conseguir um feito desses é uma alegria muito grande. E, acho que as pessoas têm que valorizar essas coisas que a gente vem conquistando na nossa carreira, mesmo com tão poucos recursos.

#NAREAL - Muitas jogadoras brasileiras encontram nos times internacionais a possibilidade de sucesso e reconhecimento. Sobre o futebol feminino nos outros países: O que é diferente e o que é igual ao Brasil?

Cris - O que é diferente aqui fora é a organização dos campeonatos, a oportunidade de um contrato maior, a visibilidade – principalmente se você estiver jogando na Europa, disputando uma Champions League.

Mas, apesar de ganharmos muito mais dinheiro do que no Brasil, não se compara de forma nenhuma com o salário de um jogador de futebol masculino. Por exemplo, meu contrato aqui na China é de um ano e meio e o que eu vou receber nesse tempo, um jogador receberia em um mês.

#NAREAL - Você já jogou em países do mundo todo. Qual foi o lugar que mais curtiu morar?

Cris - O lugar que eu mais gostei de morar foi os Estados Unidos. Em 2009, eu fui pra Chicago e fiquei duas temporadas. Eu me dei superbem com todo mundo, mesmo não falando absolutamente nada, porque eu aprendi a falar inglês com as meninas do time mesmo (risos). O último time que eu joguei e me identifiquei também foi o PSG, na França. 

#NAREAL - Hoje em dia você joga no Changchun Yatai, da China. Como está sendo viver essa experiência?

Cris - Olha, jogar na China está sendo a experiência mais diferente da minha carreira. Aqui, eles têm uma condição financeira muito boa, porém falta um pouco de profissionalismo ainda. Chega até a ser parecido com algumas equipes do Brasil. Mas eu acredito que é por que eles ainda não tem tanto conhecimento. Meu treinador, que também é diretor do clube, é chinês, então é uma pessoa difícil de abrir a mente pra trazer coisas novas.

Outra questão, é que aqui eles investem só no atleta, como se só um único atleta fosse resolver o problema do time todo. Então eu acabo tendo a responsabilidade de levar o time até as finais e conseguir ganhar títulos. 

#NAREAL - E, falando de futuro, existe algum time que você sonha em jogar e ainda não rolou a oportunidade?

Cris - Eu tive a oportunidade de jogar em vários países, fazer amizade com um monte de gente e isso é uma coisa que eu vou carregar pra sempre. Eu sou do tipo de pessoa que, se eu não estiver bem em um lugar, eu não me importo de trocar de time de novo. Eu já escutei muita gente falar que eu não paro em nenhum lugar, mas eu vou parar onde me sentir bem, ué. O PSG foi o clube que eu mais fiquei, e só fui embora porque eu tive uma proposta financeira muito boa aqui na China. Com 32 anos, não dá pra ficar rasgando dinheiro (risos).

Mas a minha vontade mesmo é voltar pra casa – você vai achar que sou maluca né, reclamando do Brasil e agora dizendo que quero voltar (risos). Mas hoje, eu tenho uma necessidade de estar perto da minha família, porque eu sinto muita falta deles.

#NAREAL - Como jogadora da seleção brasileira você conquistou vários títulos. Qual deles foi o mais marcante pra você?

Cris - Foi a minha primeira Olimpíada, em 2004, porque foi a primeira grande conquista que nós tivemos – a medalha de prata. E eu também fui artilheira, com 18 anos, jamais imaginei que isso fosse acontecer na minha vida.

Acho que ali foi quando as pessoas começaram a olhar o futebol feminino de uma outra maneira.

#NAREAL - Agora, a curiosidade da nossa equipe: Quem foi/é sua maior inspiração no esporte?

Cris - Eu tenho uma admiração muito grande pelo Cristiano Ronaldo. Eu acho que ele é um jogador muito completo, é um cara muito dedicado, esforçado. É um jogador que eu paro e fico assistindo o tempo que for.

 

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